“Fecho a porta, vejo lama. Abro, vejo lama de novo.” É com esse desabafo forte que uma moradora, com mais de 30 anos de história na Rua Padre Cícero, no Conjunto Metropolitano (Picuí), resume a tristeza de quem vive ali. A equipe da TV Na Ativa, com reportagem de Natália Martins, foi até o local e acompanhou de perto o drama da nossa comunidade.
O que era para ser a realização de um sonho por melhorias virou um verdadeiro teste de paciência. Há quase um ano, uma tão aguardada obra de saneamento básico e drenagem começou na região, mas parou no meio do caminho sem qualquer explicação.
Hoje, o asfalto sumiu, dando lugar a crateras gigantes e um lamaçal permanente que engole veículos e tira a paz das famílias.
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Prejuízos constantes e o perigo na porta de casa
Basta a nossa reportagem passar alguns minutos na via para registrar o sufoco de quem precisa transitar pelo bairro. É rotina ver carros perdendo para-choques, suspensões danificadas e motociclistas se arriscando para não cair na água barrenta. Mas o problema vai muito além do prejuízo material.
A saúde pública entrou de vez na conta desse descaso. A água suja que fica parada na frente das residências virou um risco iminente para os moradores.
Diante das nossas câmeras, uma dona de casa exibiu feridas graves nas pernas, infecções adquiridas na tentativa de tentar limpar a calçada. “Eu gosto de estar limpando… fui limpar e olha o que aconteceu. Tenho certeza que é daqui”, relatou a moradora, mostrando a pele avermelhada e machucada pela água contaminada.
Crianças e pessoas com deficiência ilhadas
Se para os veículos pesados a travessia é crítica, para os pedestres mais vulneráveis a situação é cruel. Moradores com mobilidade reduzida estão praticamente ilhados, isolados dentro das próprias casas devido ao estado intransitável da rua.
“Eu tenho um neto que é especial, cadeirante. A gente não tá podendo sair com ele porque não tem condição”, denuncia, emocionada, a vizinhança.
Até o simples trajeto para deixar as crianças na escola virou um campo minado. “A mãe delas quase cai aqui na bicicleta com as crianças. Carro passa e perde o para-choque, motoqueiro passa e cai. Ontem mesmo um rapaz passou andando, procurando a peça que tinha quebrado”, completou outra moradora.
O “jogo de empurra” e o descaso das autoridades
Enquanto a comunidade pisa na lama, a burocracia reina. Os trabalhadores que passaram por lá apenas espalharam britas, alegando que o asfalto seria colocado “quando a área secasse” — o que é impossível sem escoamento.
Pior do que o buraco, é a falta de respostas. Os moradores relatam um verdadeiro jogo de empurra de responsabilidades entre a Ambiental Ceará, a Prefeitura de Caucaia e o Governo do Estado.
“Ninguém resolve nada. Tá com quase um ano essa obra aqui. A Ambiental não faz nada, a prefeitura também diz que não faz nada porque é coisa do governo. Nem um resolve, nem outro, e nós, população, ficamos à mercê”, protestou à nossa equipe um motociclista, indignado com a falta de respeito.
O espaço está aberto para soluções
Nós, da TV Na Ativa, reafirmamos nosso compromisso com a verdade e com a comunidade. Jornalismo de bairro é feito com vigilância, cobrança e empatia, sendo uma ferramenta indispensável para a cidadania.
Deixamos nosso espaço totalmente aberto e exigimos um posicionamento público e transparente da Prefeitura de Caucaia, da Secretaria de Infraestrutura (SEINFRA), da Cagece e da Ambiental Ceará.
Existe um cronograma oficial para a retomada e conclusão das obras na Rua Padre Cícero? O cidadão caucaiense está cansado de desculpas; ele aguarda respostas e soluções imediatas.
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